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Princípios morais e responsabilidade profissional

Temos assistido a um espetáculo dantesco da ciranda política brasileira, que teima em jogar ao pó valores que outrora eram inegociáveis. São tempos difíceis, onde a ética cambaleante reflete os princípios morais que governam as relações entre os indivíduos. Os maus exemplos, escancarados diariamente pelos corredores do Poder, das instituições e das empresas estão sendo impunemente legitimados em nossa sociedade sem que o percebamos. Este descaso moral nos faz lembrar o célebre “Discurso aos Moços”, proferido por Rui Barbosa em março de 192l: “De tanto ver triunfar a nulidade e de ver acumular o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir da justiça e a ter vergonha de ser honesto”. Precisamos refletir sobre esta triste realidade e decidirmos se é isto o que queremos para o futuro.

Creio que é mais ou menos o que tem acontecido com a classe médica brasileira – e com a Ortopedia não é diferente. Muitas situações nos são apresentadas no dia a dia sob o manto de uma ética falsificada e, infelizmente, muitos colegas dormem sob o barulho suave de vozes que insistem em dizer que aquilo é normal, que o mundo é assim mesmo, que não estamos prejudicando ninguém e outras barbaridades desse tipo. Pensando em tudo isso, e levando em consideração os debates que promovemos em diversos fóruns relativos à ética médica, gostaria de suscitar alguns tópicos para a reflexão por parte de todos os membros da SBOT:

  • O ortopedista deve sempre manter um comprometimento moral profundamente enraizado dirigido ao melhor interesse do paciente, tratando somente aquelas condições para as quais ele está habilitado;
  • A educação ética é um dos mecanismos mais importantes na promoção de bons relacionamentos;
  • Devemos ter em mente que servimos de modelo para nossos residentes e demais profissionais da saúde que trabalham conosco;
  • Deve se esforçar para mostrar, através dos meios apropriados, médicos desprovidos de caráter ou que estejam envolvidos em fraude;
  • O recebimento de compensação financeira de empresas em função do uso de determinado medicamento, órtese ou prótese é antiético e ilegal;
  • O profissionalismo é a base do contrato da medicina com a sociedade e requer colocarmos os interesses do paciente acima dos nossos, estabelecendo e mantendo padrões de competência e integridade;
  • É preciso haver comprometimento com o segredo profissional, com o tratamento de melhor qualidade, com uma distribuição mais justa de recursos limitados, com o conhecimento científico, com a responsabilidade social e com a verdade ao lidar com conflitos de interesse.


Para manter a fidelidade deste “contrato médico-social” durante estes tempos turbulentos, acreditamos que os médicos devem reafirmar sua dedicação ativa aos princípios do profissionalismo, envolvendo não apenas seu comprometimento pessoal com o bem-estar dos pacientes, mas também um esforço coletivo para melhorar o sistema de saúde para o bem-estar da sociedade.

Arlindo G. Pardini Jr.
Presidente da SBOT


 
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