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Trânsito

Máfia brasileira

Seguradoras escondem acidentes com automóveis, que voltam a circular sem condições mínimas de segurança PT é apenas mais uma entre as inúmeras picaretagens que complicam a vida do brasileiro. Não, não é a sigla do partido político, mas do automóvel que se envolve num acidente que o torna quase irrecuperável, sendo então tachado pela companhia de seguro como “perda total”. Em termos financeiros, os custos para sua reparação superam 75% seu valor venal. Seu proprietário é então reembolsado pela seguradora e assina um documento de venda do veículo. Em seguida, a empresa o põe coloca à venda em casas de leilão.

Teoricamente, o carro se prestaria somente para ser desmanchado, para se aproveitar os componentes não destruídos no acidente. Mas na prática, a teoria – infelizmente - é outra. A maioria desses veículos é adquirida nos leilões por comerciantes do ramo ou oficinas mecânicas, que os recuperam – sabe-se lá em que condições - e voltam como ‘seminovos’, ao mercado de usados.

A rigor, a operação não é ilegal, mas o carro deveria constar nos arquivos do Detran como inutilizado. Depois de recuperado, seria submetido a vistoria em um órgão homologado de inspeção veicular, que verificaria seus sistemas mecânicos e suas condições de segurança. Só depois dessa certificação, seria novamente registrado no Detran e voltaria a circular.

Mas nada disso acontece, pois a legislação é burlada por companhias de seguro (que não comunicam aos órgãos de trânsito que o veículo sofreu PT) e também por comerciantes de automóveis usados, que não levam o carro recuperado para a vistoria. O incauto e desprotegido cidadão que adquirir um carro usado acaba sendo vítima da fraude. O carro é atrativo, pois tem sempre um preço abaixo da média do mercado, e o freguês não é alertado para coisa alguma. Só depois de pagar pela recuperada sucata é que ele descobre ter caído no conto-do-vigário, pois não consegue fazer o seguro.

O motivo é simples: muitas seguradoras não informam ao Detran os dados do veículo acidentado com perda total, pois perderia valor de revenda. Mas arquitetaram um bem elaborado sistema que permite identificá-los. Só elas acessam essas informações, para se protegerem da tentativa de novo seguro do veículo.

O governo (Denatran) conhece e está tentando solucionar o problema. A começar dos agentes e fiscais que emitem o boletim de ocorrência do acidente. Eles seriam treinados para indicar se o veículo sofreu danos de pequena, média ou grande monta, para que a informação não tenha necessariamente que ser vinculada à companhia de seguros. Mesmo porque nem todos os automóveis acidentados são segurados.

No caso dos veículos indenizados, a Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) afirma que os dados são públicos e estão em seu site. Mas é mentira: vários automóveis que sofreram PT tiveram suas placas usadas em pesquisas e o resultado — de todos — foi negativo. Mafioso italiano teria inveja de um sistema tão sofisticado...
(Boris Feldman - Estado de Minas – MG – 10/06/2007)

 
 
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