TEOT
Senha
 Esqueci meu login
 Esqueci minha senha
 
Quarta-Feira, 7 Janeiro de 2009   
Calendário de Eventos
janeiro 2009
D S T Q Q S S
    
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
 
Calendário Completo 2009

Legenda
Jornada
Curso
Simpósio
Congresso
Encontro
CBOT
Não Definido
Veja todos os Eventos
Canal Sbot
 
Campanhas

Trânsito

Angústia pública

Angústia pública é este sentimento difuso de mal-estar que se origina dos acontecimentos públicos traumáticos, chamados estressores, tais como os acidentes de trânsito com vítima, desastres, situações-limite de toda violência urbana e também de todas essas situações com a política e com a inoperância das instituições.

A capacidade de cada um para suportar eventos traumáticos é,
aparentemente, uma característica dita "individual". Mas o quanto a
conformação desta capacidade está condicionada pelas representações sociais, que apontam os parâmetros de aceitação ou não de comportamentos diante das situações traumáticas?

O trauma é uma experiência que explode a capacidade de suportar
um revés, nos traz a perda de sentido, desorganização corporal e paralisação da consciência temporal. Além disso, pode deixar marcas que influenciam a criatividade e a motivação para a vida. De fato, trata-se de um
acontecimento muito difícil na vida de uma pessoa.

A angústia é um estado emocional e físico que envolve conflitos
com forte discrepância entre processos interiores e as possibilidades de
satisfazê-los. Ou seja, é uma emoção que tem como principal característica o fato de ser desagradável. Acontecimentos na esfera pública, e que provocam este sentimento de desolação, de dor e sofrimento, talvez nos tornem mais impotentes do que aquela angústia de ordem propriamente pessoal. A angústia pública é uma ferida aberta que não tem cura e para a qual não sabemos ainda onde encontrar o remédio.

Contudo, já podemos dar alguns passos. A psicologia das emergências estuda o comportamento das pessoas nos acidentes e desastres desde uma ação preventiva até o pós-trauma e subsidia intervenções de compreensão, apoio e superação do trauma às vítimas e socorristas. Isto não significa ficar colado no drama, que é o emocionalismo e a paralisia diante da tristeza. Significa, atualmente, discutir e buscar caminhos, sempre
levando em conta a experiência e o contexto em que aparecem as situações de crise.

Pode-se presumir a necessidade de estudos nesta área, por exemplo, pelas estatísticas (Denatran, 2006) de acidentes nas rodovias federais nos anos de 2004 e 2005: 100 mil acidentes, 66 mil feridos e 6 mil mortes. É fácil constatar que a sociedade é hábil em criar angústias, mas não está capacitada para propor alternativas para sair delas. O desafio diante da crise, principalmente em uma situação inesperada, significa um momento de sofrimento, mas também pode representar uma oportunidade de crescimento, contribuindo para a formação de novas posturas em relação à vida. Quem sabe, então, podemos desenvolver outras percepções e ações, ampliando as discussões e a pesquisa na psicologia das emergências? Será que precisamos continuar respondendo a essas questões como tem sido feito até agora, onde a assistência é igual à exclusão? (Zero Hora , RS - 11/06/2007). (Autor: NEY ROBERTO V. BRUCK/ Doutor em Psicologia )

 
 
   SBOT - Al. Lorena, 427 14º andar - Jd. Paulista - CEP: 01424-000 - São Paulo - SP - Tel.: 0800-727-7268